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Sustentabilidade: crescem as pressões sobre as empresas

Ligado . Publicado em Sustentabilidade . Acessos: 1788

Fabrício Ângelo

Apesar da disseminação do conceito em todo o ambiente corporativo, as práticas ainda não foram incorporadas satisfatoriamente à gestão dos negócios.

As plenárias realizadas na manhã desta quarta-feira (05/08), no 3º Congresso Internacional de Sustentabilidade, promovido pelo CEBDS e pelo WBCDS, abordaram as inovações em produtos e negócios sustentáveis.  De acordo com Nísia Werneck, do Núcleo de Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, o conceito de sustentabilidade já é conhecido por todos, mas ainda pouco incorporado. “Hoje podemos dizer que o desenvolvimento sustentável é muito mais que um conceito, é um critério de vida”, disse.

Nísia destaca que um novo conceito de economia está em pauta e o foco é a temática sustentabilidade. “Cada vez mais são incorporados novos pontos ao tema. Isso faz com que se abram novos caminhos de gestão e consumo”, afirmou ela, observando que o sucesso do processo, no entanto, depende de toda a cadeia de produção. “Somente com parcerias entre os setores é possível desenvolver algum projeto que realmente dê resultados”.

Mark Lee, presidente da SustainAbility, é de opinião de que a relação entre a sustentabilidade e a produtividade está cada vez mais próxima. “A sociedade hoje está exigente quanto ao que consome. Grande parte dos consumidores quer produtos que não agridam o meio ambiente e ajudem a diminuir as desigualdades”, afirmou.

Lee disse que esse é um processo histórico que surgiu em 1960, com os movimentos ativistas em prol da preservação ambiental. “Foi um momento em que os cidadãos começaram a cobrar dos governos atitudes que protegessem os seres humanos, dando inicio às discussões sobre qualidade do ar, finitude da água, entre outras coisas. Nos Estados Unidos foram os anos em que surgiram muitas leis ambientais”, lembrou.

Em 1973, começam as reuniões da Organização das Nações Unidas sobre o tema, as empresas começam a pensar em produtos sustentáveis e também surge o Greenwashing, “mostrando que as companhias já perceberam a importância da questão”, ressaltou o CEO da consultoria norte-americana.

O ano de 1991 marca auge da globalização, quando surgem as preocupações de governos e ONGs com as conseqüências das mudanças ambientais, principalmente no que poderia causar à economia mundial. “Os mercados já se preocupam, então, com prejuízos causados por práticas não sustentáveis. Isso se reflete nos tipos de inovação que temos na gestão empresarial a partir de 2001, com mudanças radicais nas cadeias produtivas e gerenciamento das companhias”, declarou Lee, que acredita que a chance está posta, “agora o desafio é mostrar aos empresários que trabalhar com sustentabilidade é uma oportunidade de negócios lucrativos”, declarou.

Para o diretor de estratégias de conservação da ONG The Nature Conservance, David Cleary, as companhias já estão sendo punidas por ações não sustentáveis. “Ressalto a questão do desmatamento da Amazônia, que impôs perdas primeiro aos produtores de soja e agora aos pecuaristas, em conseqüência de má gestão ambiental”, falou.

Cleary alerta que não só o setor primário, mas toda a cadeia será punida pelos consumidores, caso não se enquadrem nesse novo modelo de produção. “A sociedade já começou a cobrar de maneira mais enfática ações sociais e ambientais dos produtos que consomem, e apesar de parecer difícil, quem se adequar perceberá em pouco tempo a gama de oportunidades que esse novo modelo  gera”, declarou.

Com a palavra, as empresas

Esse caminho já está sendo incorporado por grandes empresas, é o que destacou a Superintendente de Produção da Amanco, Regina Zimmermman. Para ela, apesar de parecer custoso, o momento exige do setor produtivo mudanças drásticas e rápidas de gestão. “É um processo difícil e custoso, mas ao final vale a pena, tanto economicamente quanto socialmente”, disse.

Citando exemplo de sua empresa, a Amanco, que é uma indústria de material hidráulico, Regina relatou que, além da redução dos gastos, pela diminuição de desperdício no processo industrial, a empresa vem lançando no mercado produtos que permitam maior reciclabilidade e menor consumo. “O maior desafio é integrar a sustentabilidade com a estratégia de negócios, e vem dando certo”, falou.

Uma das maiores empresas do mundo, a Coca Cola, também vem aplicando os critérios de sustentabilidade em sua rede de produção, de acordo com Marcos Simões, vice- presidente de comunicação e sustentabilidade da empresa. Para ele, só as empresas que trabalharem dentro dessa nova realidade continuarão em atividade daqui a alguns anos. “Uma das idéias da Coca Cola é de que toda a cadeia produtiva deve estar em dia com esse processo, e tentamos passar isso aos nossos colaboradores”.

Opinião parecida tem Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem.  “A ameaça à raça humana está posta. Cabe a nós reverter ou minimizar esse quadro”, analisou. Outro desafio para as empresas, em seu ponto de vista, é tornar esses produtos atraentes para o consumidor e, com isso, ajudar a mobilizar a sociedade por um mundo mais consciente. “Não adianta ficarmos planejando o impossível, temos que ir aos poucos, implantando processos de gestão eficientes do ponto de vista prático”.

Ainda conforme Jorge Soto, os altos investimentos são necessários, mas com certeza os lucros serão bem maiores. “As mudanças nos padrões de consumo e produção vão mudar radicalmente, e precisamos acompanhá-las para não perecer”, finalizou.



Fonte: Agência Envolverde.
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