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Desmatamento da Mata Atlântica cai 75% na década

Ligado . Publicado em Árvores . Acessos: 2198

O ritmo de desmatamento da Mata Atlântica no país caiu 75% nesta década em relação ao período de 1990 a 2000. Enquanto na década passada foram desmatados 946.269 hectares (ha) do bioma, nos últimos dez anos o desmatamento foi de 238.466 ha, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais divulgado ontem pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Apesar da redução, não há motivos de comemoração, segundo os coordenadores da pesquisa. Considerando a fragilidade desse bioma, que possui apenas 7,9% da sua área total preservada, qualquer desmatamento é uma ameaça. "É bom ter reduzido, mas também há pouco para desmatar", diz Marcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica.

Considerando apenas os últimos dois anos, foram desmatados ao menos 20.867 hectares, uma queda de 21% em relação à média global. Dois Estados, porém, desmataram mais, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com aumento aumento de 15% e 83%, respectivamente. A ONG ainda analisa as razões para as recentes destruição de mata nativa.

Em Minas, chama atenção a exploração de carvão vegetal para sustentar a indústria de ferro gusa. No Paraná, o maior responsável foi a expansão urbana na região metropolitana. A coordenadora do Atlas diz que o planejamento das cidades para a expansão urbana é uma questão chave para a preservação do bioma. "Estamos numa região extremamente populosa, temos 112 milhões de pessoas que habitam a Mata Atlântica."

Em São Paulo, apesar da redução de 9% do ritmo de desmatamento nos últimos dois anos, foram detectados problemas no Vale do Ribeira e litoral sul, locais onde há unidade de conservação. Segundo Márcia, a situação preocupa porque é uma das maiores áreas de remanescentes contínuos de Mata Atlântica. Só no Vale do Ribeira foram desmatados 422 ha, de um total de 743 ha no Estado. "Fica um alerta para o Estado de São Paulo", diz.

Segundo Mário Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, um assentamento rural colocado pelo governo do Estado nos limites da unidade de conservação em Jureia (SP) vem promovendo a degradação da área. "Vamos fazer uma atuação mais efetiva lá. A Jureia é uma unidade emblemática, que fez surgir a SOS Mata Atlântica."

O Rio de Janeiro, com redução de 0,04% do bioma nos últimos dois anos, recebeu elogios pelo seu trabalho de conservação da floresta. "A meta do Estado é dobrar o total de áreas protegidas e talvez consiga até final desse governo. É algo exemplar", diz Mantovani.

Fonte: Valor Econômico

ALERJ

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