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Pierre Dansereau, pioneiro da Ecologia Integral

Ligado . Publicado em Maurício Andrés Ribeiro . Acessos: 1700

Por Maurício Andrés Ribeiro

10612Meu encontro com as ideias de Pierre Dansereau se deu a partir do diagrama sobre os estágios de impacto crescente da espécie humana no ambiente. Ali, ele nos transporta numa viagem no tempo da jornada humana, desde a pré história até a atualidade: houve a fase da coleta de frutos e depois a caça e a pesca; em seguida, o pastoreio, com a domesticação de espécies animais; a domesticação dos vegetais, na revolução agrícola. No século XVIII a revolução industrial amplificou os impactos da ação humana sobre a natureza. Na segunda metade do século XX veio a urbanização acelerada. Vivemos atualmente a transição entre a urbanização e o controle climático. Muitos anos antes do tema das mudanças climáticas se disseminar, Dansereau o colocava como uma etapa relevante no relacionamento do ser humano com a natureza.

Ele intuía o futuro e colocava nossa espécie no cosmos. Na época em que o diagrama foi concebido, as viagens interplanetárias estavam em seu início e esse era um cenário futurista, antecipado na ficção científica e nas obras de artes. Na etapa da fuga exobiológica ou transmigração, indivíduos isolados escapam à gravidade do planeta e lançam-se ao espaço cósmico. Ele chamava a atenção para essa escala da ecologia pouco valorizada numa época em que se falava em pensar globalmente, mas não em pensar cósmicamente.

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Durante sua temporada como diretor adjunto do Jardim Botânico de Nova York, ele se interessou pela ecologia humana e as questões urbanas. Antes da análise do ciclo de vida dos produtos disseminar-se como instrumento para a gestão e o planejamento, ele já analisava as paisagens urbanas e os ambientes construídos e tomava consciência dos sistemas de abastecimento pelos quais transitavam os materiais, a energia, os alimentos usados nos ecossistemas urbanos. Sua bola de flechas identifica os vários níveis tróficos e os processos de ciclagem de recursos por meio dos quais eles se transformam: do mineral, ao vegetal, ao animal herbíroro, ao animal carnívoro, ao investimento e ao controle. Matéria, vida e consciência estão ali incluídas.

No campo da ética ambiental, constatou que a compaixão era “a única chave para liberar o fluxo para o compartilhado equitativo dos recursos.”

Ele propôs a austeridade feliz como atitude de vida capaz de harmonizar o ser humano com o ambiente. Na linha do não consumismo, da simplicidade voluntária e da sobriedade, a austeridade feliz leva a um modo de vida que reduz o consumo material, como ato de compaixão e de compartilhamento de recursos. Ele foi pioneiro e intuiu essa necessidade de reduzir o peso da pegada ecológica; o indicador da pegada ecológica somente foi concebido décadas depois. Ele também antecipou a importância das ciências da cognição, ao incluir em seus diagramas a noosfera e a diversidade de estágios de consciência humanos. Esse reconhecimento da noodiversidade induz à prática da paciência e da tolerância, para que a convivência humana seja vivida em harmonia e paz.

ALERJ

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