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Bate- papo com Heloisa Carvalho / Rebia

Ligado . Publicado em Luciana Ribeiro

 

O Projeto Com-Vida em Ação e seus benefícios políticos e pedagógicos para a cidade de Brasília

                                                          

Foto: Elizete Cardoso

 

Por Luciana Ribeiro

“Considero de suma importância o papel das escolas, mas, principalmente, a tarefa das famílias, que é a de poder colocar seus filhos desde a infância em contato com os biomas e crescerem com o mínimo de respeito à natureza...” Heloisa Carvalho

Heloisa Carvalho - Heloisa Carvalho é Professora da Secretaria de Educação do Distrito Federal, Especialista em Matemática (leciona para alunos do 6º ao 9º ano), Especialista em Iluminação e Designer de Interiores, Mergulhadora, “trilheira” de jipe e a pé e apaixonada pelo Pantanal, pelo Cerrado brasileiro e pelo Arquipélago de Abrolhos.

Fundadora do Blog Cerrado, Te quero Bem:

http://cerradotequerobem.blogspot.com.br/

Como educadora, amiga e colaboradora da Rede Cerrado Com Vida, convidei a Heloísa para dialogarmos sobre os trabalhos desenvolvidos na Escola CEF 08 de Taguatinga e, por meio desse trabalho, saber como tem difundido a importância da educação ambiental para os jovens e professores brasilienses.

Para a minha surpresa e orgulho pedagógico, deparei-me com um projeto ousado e norteador de discussões políticas, acadêmicas e cidadãs, o qual tem vislumbrado a abertura de caminhos dignos, maduros, reeducadores e restauradores das belezas da natureza desequilibrada e sedenta por justiça humana e ambiental no DF e no Brasil.


Felizmente, a educadora brasiliense tem fomentado a relevância da educação ambiental para as escolas do DF, a qual pode melhorar consideravelmente a qualidade de vida em Brasília; além desse trabalho reeducador, ela e sua equipe de trabalho, têm desenvolvido um belo trabalho de escuta pedagógica por meio de vivências teóricas e práticas (palestras sobre o cerrado,exposição de fotos da fauna e flora, etc) os quais, de fato, valorizam o cerrado e a vida de modo geral; contudo, o evento é apenas uma das etapas que compõem o projeto Com-Vida em Ação e da Rede Cerrado Com-Vida (que não pertence à escola) - recheado de debates que têm provocado a realização de sonhos bonitos e cidadãos nos jovens brasileiros, lembrando que todo esse investimento educacional concretiza um currículo amoroso e verde, trazendo a esperança e a vontade política que ainda falta em nossos governantes públicos para reverem a importância do meio ambiente no Brasil.

Leia alguns trechos do bate-papo com Heloísa Carvalho que retratam sua responsabilidade pedagógica e política em articular o projeto Com-Vida em Ação e a Rede Cerrado Com Vida, desenvolvidos para beneficiar a cidade de Brasília:

"A partir de uma política que mobilize a reeducação ambiental e além disso, valorize a criação de escolas sustentáveis, pode-se direcionar a mentalidade dos futuros educadores e educandos para o uso racional dos recursos, bem como o convencimento deles, por meio dessa sensibilização."

"Sair um pouco dos livros e colocar os alunos em contato direto com ambientes como, por exemplo, visitar as nascentes, levando-os a conhecerem as Unidades de Conservação abertas para educação ambiental e ainda contar a história de cada região."

"A proposta é despertar em toda a comunidade escolar a atenção para a grave situação do cerrado e ainda ensiná-lo a ver como o homem realiza as construções em áreas impróprias, onde se encontram as nascentes, gerando, além da falta de água, o desequilíbrio ecológico."

"Focando a questão água, o DF abriga nascentes de grande relevância para o Brasil. A melhor forma que encontramos para sensibilizar foi levando professores à Estação Ecológica Águas Emendadas - ESEC-AE, que abriga uma grande vereda e nela a nascente de duas importantes bacias do Brasil; Ao conhecerem o local o despertar é imediato."

Na visão da educadora, a educação ambiental ainda é pouco aceita ou reconhecida pelos brasileiros de maneira geral, inclusive, um dos maiores desafios é retirá-los do comodismo, um problema mencionado no livro Pegada Ecológica de Genebaldo Freire.

Concordo plenamente com Heloisa, quando disse que uma boa gestão escolar resulta em benefícios pedagógicos, citando o exemplo do diretor e da vice-diretora da escola Centro de Ensino Fundamental 08 de Taguatinga (José Maria Fernandes e Mônica) que ainda contaram a participação de outros funcionários, como a Secretaria durante o movimento ecológico gerado pelo Projeto Com-Vida em Ação e pela Rede Cerrado Com-Vida.Dessa maneira, puderam fazer toda a diferença para a cidade de Brasília.

Considerações ecopedagógicas:

A professora convidou alguns órgãos e algumas instituições: IBRAM, FLONA (IcmBio), TAXIDERMIA DO ZOOLÓGICO, ADASA, CAESB, SEAGRI, NOVACAP, EAPE E CED STELLA DOS CHERUBINS GUIMARÃES TROIS(PLANALTINA) para serem colaboradoras e parceiras do Projeto Com-Vida em Ação, o qual tem sido alicerce para mobilizar a implementação de ações coletivas que beneficiam o cerrado e a vida do cidadão brasiliense; além disso, todo esse trabalho de comunicação ambiental viabilizou o cumprimento da Legislação Ambiental que menciona essa necessidade urgente a ser articulada pelo poder público por meio da PORTARIA Nº 108, DE 26 DE ABRIL DE 2016 -que Institui a Política de Educacão Ambiental Formal da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.

Neste sentido pedagógico, o bate-papo nos deixou claro que o planejamento e a execução de atividades que reverenciam a ecologia humana carecem de atenção, de apoio e do envolvimento social que propiciam à organização, pois tudo requer trabalho árduo e investimento educacional correspondentes às necessidades da educação ambiental a ser colocada em prática nos ambientes escolares.

A participação dos professores, dos alunos e da comunidade que fazem parte do CEF 08 de Taguatinga pode continuar sendo ótima referência de lutas que encabeça vários aspectos, como o trabalho, o ânimo, o fortalecimento pedagógico, a visão de equipe solidária, a parceria, a troca de experiências que de fato privilegiaram ou privilegiam a vida humana e a natureza no DF.

Segue o documentário indicado pela educadora Heloisa que me revelou que a educação ambiental é a essência da vida humana e carece de ser discutida pela comunidade escolar (diretor/coordenador/educador/aluno/funcionários em geral):

Diretora da Escola


Foto: Notícias/Secretaria de Educação/DF

Veja o Projeto Cerrado Com-Vida sendo prestigiado pelo site Notícias da Secretaria de Educação (http://noticias.se.df.gov.br/noticias/ultimas-noticias/meio-ambiente-escola-desenvolve-acoes-pela-valorizacao-do-cerrado), Heloisa Carvalho deu seu bonito depoimento para defender os direitos do cerrado: “As pessoas veem o cerrado como algo feio. O que a gente está tentando mostrar é que ele é bonito, precioso e de grande valor. O cerrado é o berço das águas”, explica a responsável pela Educação Ambiental no CEF 08, Heloisa Carvalho. Ela reforça que a maioria das pessoas desconhece o fato de na Estação Ecológica Águas Emendadas haver a nascente de duas grandes bacias brasileiras: a Platina e a Amazônica. “E não há uma preocupação em preservar isso. Então é importante despertar essa consciência em alunos e professores”.


Escola CEF 08 de Taguatinga -Fotos:

 

 

Veja as fotos que homenageiam o projeto Cerrado Com-Vida no 10º Encontro de Educadores Ambientais do DF – momento especial para debater a importância da natureza e o que se tem feito para preservá-la de modo sustentável:


Link/fotos - Blog Ecopedagogia/Luciana Ribeiro

 

Veja as fotos com Heloisa Carvalho e participantes do Cerrado Com-Vida nas visitas nas áreas verdes (Floresta Nacional de Brasília/Estação Ecológica de Águas Emendas):


Link/fotos - Blog Ecopedagogia/Luciana Ribeiro


Agradecimentos para:


Os autores do projeto Rede Com-Vida em Ação (desenvolvido noa Escola Centro de Ensino Fundamental 08 de Taguatinga):

*Heloisa Helena Carvalho de Oliveira
* Ivo Brito Aguiar
* Andréa Brugin dos Santos Ferreira

Equipe gestora da Escola:

Diretor: José Maria Fernandes
Vice-diretora: Mônica Neves Pereira
Supervisora administrativa: Stela Gomes

Serviço de Orientação Educacional:

Orientadora educacional -Vânia Cândido
Orientadora educacional - Lucinéia Silveira


Participantes do projeto:

Elizete Cardoso - representante da comunidade.
Álvaro Cezar de Araújo - FACEAVES
Robson Majus Soares – educador ambiental e popular
Iris Santos da EAPE - Alimentação Alternativa.
Lucas – responsável pelo laboratório de informática
Silsa Berias e Lucas Morais (música do Campo em viola
José Alves de Oliveira - Artista plástico
Luís Carvalho – Jovem aventureiro do cerrado

* * As Instituições governamentais que foram citadas no texto
*E a todos membros (professores, alunos,colabores em geral) do Projeto Cerrado Com Vida - Rede.

Fundadora do Blog Cerrado, Te quero Bem:


http://cerradotequerobem.blogspot.com.br/

Contatos: E-mail cerradocomvida@gmail.com

Telefone: Heloisa Carvalho - 98615-1564

 

 

 

 

Fonte: Blog Ecopedagogia/Luciana Ribeiro

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Entrevista com Desirée Ruas- Portal do meio ambiente/REBIA

Ligado . Publicado em Luciana Ribeiro

Entrevista com Desirée Ruas para o Blog Ecopedagogia

  

 

Desirée (à direita) e integrantes da Rebrinc durante evento em BH

 

 

A Infância e o Consumo, a publicidade infantil e as ações pedagógicas que valorizam a cidadania ambiental no Brasil

Por Luciana Ribeiro - colaboradora do Portal do meio ambiente/Rebia

Desirée Ruas – é uma Jornalista, especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Criadora do Movimento Consciência e Consumo, de Belo Horizonte (MG), ela faz parte da Rede Brasileira Infância e Consumo, Rebrinc (fonte: Rebrinc - http://rebrinc.com.br/) Desirée Ruas atua na comunicação e mobilização da Rebrinc que vislumbra a implementação de projetos que polemizam a importância das brincadeiras e do consumo sustentável; além disso, os canais pedagógicos priorizam a divulgação de artigos, de entrevistas e de publicações acadêmicas que valorizam o zelo inerente à cidadania que precisa ser vivenciada pelas crianças, pelos adolescentes e pelas famílias brasileiras.

Com muito carinho e com muita honra pedagógica, convidei a jornalista para dialogar sobre as angústias, os anseios humanos e sobre alguns dos projetos educativos que recomendam a inserção das políticas públicas no Brasil, portanto, carecendo da nossa ajuda, do apoio dos especialistas, dos empresários, dos pesquisadores, dos gestores públicos para reverem a posição das empresas, das indústrias e das instituições que lidam com as questões capitalistas, mas que de fato, na sua maioria têm menosprezado a saúde do homem e do planeta Terra.

Neste caminho reeducador, Desirée Ruas tem atuado com amor e consciência pedagógica para confrontar, protestar e colaborar com todos que fazem parte desse triste e complexo cenário, retrato da realidade social, econômica, cultural e ambiental do nosso Brasil, inclusive, uma situação enfrentada em várias partes do mundo. Segue a entrevista com ela:

Luciana Ribeiro: O que a Rebrinc faz pela infância no Brasil por meio da publicação das pesquisas acadêmicas, das discussões realizadas com a participação dos pais e dos cidadãos em geral nas palestras? Existe algum acordo político e pedagógico por meio dessa mobilização social que moraliza o Estatuto da Criança e do Adolescente?

Desirée Ruas : A Rede Brasileira Infância e Consumo – Rebrinc foi criada em 2013 e desde então ela reúne pessoas, organizações e movimentos relacionados à causa do consumismo infantil. Sua missão é “ser uma Rede capaz de despertar a sociedade, especialmente a comunidade escolar e os que produzem conteúdo nas mídias, para as consequências do consumismo na infância”. Por aglutinar educadores, pesquisadores e estudantes das áreas da infância e do consumo, a Rebrinc contribui para divulgar importantes pesquisas e iniciativas que questionam o incentivo ao consumo que, sabidamente, tem um impacto negativo sobre as crianças e os adolescentes. Nós também mobilizamos pais e mães tanto no mundo virtual quanto no mundo real pois sempre realizamos encontros e rodas de conversa para refletir sobre a educação nos dias de hoje. Enquanto a mídia incentiva o consumo e valores materialistas, precisamos nos unir para questionar o que tem sido oferecido para nossas crianças. Quanto ao Estatuto da Criança e do Adolescente, o que vemos é um distanciamento entre a teoria e a prática já que são muitos os desrespeitos diários aos direitos estabelecidos pelo ECA. Mas vemos também uma mobilização de grupos que contribuem para reforçar a importância de se divulgar e exigir o cumprimento dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Luciana Ribeiro: Fale sobre o aniversário da Rebrinc que fez três anos no ano de 2016 e dos resultados pedagógicos que foram alcançados até o momento atual.

Desirée Ruas: 2016 foi um ano muito especial para nós da Rede Brasileira Infância e Consumo. Completamos três anos de existência e lançamos o movimento “Rebrinc pelo Brasil – Eventos Colaborativos pela Infância”. Realizamos de junho a agosto, feiras de troca, palestras e seminários que levaram para um público ainda maior a discussão da proteção da infância aos apelos para o consumo, da adultização, da importância do brincar... Discutimos alternativas para os educadores levarem para seus alunos em sala de aula, contribuindo para sensibilizar toda a comunidade escolar. Pais, mães, educadores e outros profissionais participaram de atividades em vários pontos do Brasil, como Belo Horizonte, São Paulo, Campinas, Porto Alegre e Brasília.

Luciana Ribeiro: Fale sobre a publicidade infantil que fere os direitos das crianças no Brasil e a forma como tem sido tratada pelos gestores públicos no Brasil. Poderia recomendar alguns conselhos para os estudantes de faculdades e de universidades poderem ajudar os cidadãos a manifestar seus sentimentos referentes às indústrias que ousam fazer as propagandas enganosas, inclusive, não resguardando e penalizando a saúde da criança e do adolescente?

Desirée Ruas: O Código de Defesa do Consumidor, no seu artigo 37, proíbe a publicidade abusiva. Dentre outros tipos, é abusiva a publicidade que faz uso da falta de experiência e julgamento da criança. Como a criança não tem condições de entender o que se esconde na publicidade, seus reais interesses, toda comunicação mercadológica que incentive a criança a consumir algo deveria ser proibida. Infelizmente, ainda temos comerciais e outras ações de marketing que tentam persuadir a criança para o consumo. Em 2014, foi publicada a Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – Conanda. Ela reforçou esta proibição já que deu mais clareza para a identificação dos elementos que caracterizam a publicidade infantil. Há inúmeros movimentos, assim como a Rebrinc, que estão nessa luta, denunciando as ações ilegais e pressionando a indústria, as agências de publicidade e os órgãos do governo. Mas precisamos de mais pessoas engajadas. Os estudantes das universidades podem, por exemplo, pesquisar sobre o tema e produzir trabalhos acadêmicos que ajudem a sensibilizar a sociedade sobre os prejuízos da mídia e da publicidade sobre a infância. Quem está na mídia pode ajudar também produzindo conteúdo sobre o tema. O Sistema de Garantia dos Direitos das Crianças é formado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública e pelos Conselhos Tutelares, que devem ser acionados em caso de desrespeito aos direitos da criança. Saiba mais no site http://prioridadeabsoluta.org.br/denuncie/

Luciana Ribeiro: Poderia citar algumas publicações pedagógicas que servem como fundamento para estudos nas faculdades e para universidades brasileiras, democratizando as informações prioritários para os debates das políticas públicas que denunciam as armadilhas capitalistas, as quais ferem os direitos das crianças e dos adolescentes?

Desirée Ruas: Felizmente temos cada vez mais conteúdos que nos ajudam a entender a situação do consumismo infantil. E não são apenas livros, mas reportagens, documentários e até peças de teatro que levam à reflexão do tema. O livro “Crianças do Consumo – A Infância Roubada”, de Susan Linn, ajuda a entender a pressão do consumo sobre a infância. Muitas outras sugestões de leitura estão no site do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. O livro comemorativo dos 10 anos do Projeto Criança e Consumo também está disponível para download e vale a pena ser lido. (http://criancaeconsumo.org.br/publicacoes/)

Luciana Ribeiro: As famílias brasileiras carecem de esclarecimentos nas escolas para compreenderem como os malefícios da publicidade infantil, por exemplo, afetam as crianças por meio da obesidade infantil. Qual a sua visão crítica dessa realidade que tende a agravar-se no Brasil?

Desirée Ruas: A questão da alimentação é muito séria e envolve vários fatores. Atualmente, as famílias costumam ter menos tempo para preparar as refeições em casa. Não temos em todas as famílias uma divisão justa das tarefas domésticas. Vemos muitas mães sobrecarregadas com muitas atividades, dentre elas comprar e preparar os alimentos. Nesse contexto, a indústria dos alimentos ultraprocessados ganha cada vez mais espaço. O marketing é poderoso e promete aquilo que muitas famílias procuram: alimentos prontos ou de fácil preparo, com grande prazo de validade. Junto a isso, temos ainda os apelos para o público infantil como os personagens estampados nas embalagens. Muitos alimentos ricos em açúcar e gordura estão associados a personagens queridos pelas crianças. Enfim, os comerciais, as embalagens, as promoções são pensados para persuadir as famílias que vivem em um contexto que dificulta o cozinhar. Por isso, tanto o excesso de tarefas que costuma recair sobre as mulheres quanto o poder do marketing entram nesse cenário onde as crianças estão cada vez mais obesas e até com doenças crônicas não transmissíveis, DCNTs. Uma alimentação mais saudável depende de tempo e da opção pela “comida de verdade”. Quanto mais publicidade um alimento tem, menos saudável ele é. E as escolas também precisam repensar o que oferecem em suas cantinas e lanchonetes. Precisamos de um amplo debate sobre a alimentação nas escolas pois não podemos ter dentro de sala um incentivo à consciência na alimentação e na hora do recreio refrigerantes, bebidas açucaradas, salgadinhos e doces para a criança comprar. É necessário ter coerência, senão não adianta o esforço do educador.

Luciana Ribeiro: Poderia recomendar algumas atividades socioambientais que valorizam o debate das soluções pedagógicas que inserem o respeito pela criança, pelo adolescente e pelo meio ambiente?

Desirée Ruas: A interação do aluno com o ambiente em que vive é fundamental para que ele entenda a importância da natureza. E é a natureza pensada de uma forma ampla, sendo o aluno também parte dessa natureza. E a rua, o bairro, a cidade fazem parte deste meio ambiente. Acho que as escolas podem promover atividades como hortas, jardinagem, passeios pelo bairro para identificação de espécies, teatro, concursos literários, oficinas que permitam que as crianças possam refletir e ter contato com a terra, com sementes, com plantas etc. Para despertar nos alunos uma visão crítica sobre o futuro do planeta, o educador deve falar do trânsito, da poluição do ar, do lixo jogado na rua, da poluição das nascentes, da permeabilização do solo dos centros urbanos, dos desafios da mobilidade, dos projetos da Câmara dos Vereadores relacionados à saúde nas cidades, das ações do Prefeito, da forma como as construtoras estão engolindo as últimas áreas verdes das cidades e as mineradoras destruindo a paisagem e a água. Todas são questões urgentes e que se referem à vida nas cidades e falam sobre respeito: o respeito às gerações futuras. Afinal, o que estamos deixando para elas?

Luciana Ribeiro: Qual foi a motivação crucial que deu vida pedagógica para o site da Rede Brasileira Infância e Consumo? De que forma política visou-se a divulgação dele para os especialistas diversos e para os cidadãos brasileiros beneficiarem-se por meio dos conhecimentos socioambientais?

Desirée Ruas: Como a Rebrinc é uma rede, o seu processo é horizontal e colaborativo. A rede se constrói por meio de laços de confiança, sempre buscando garantir a inclusão de novas pessoas e ideias. E com a ajuda dos seus integrantes, a Rebrinc vai buscando mobilizar cada vez mais pessoas, falando sobre educação e mídia, alimentação saudável, combate ao consumismo infantil, combate à adultização da infância, educação para o consumo, educação para a sustentabilidade, dentre outros temas.

O site da Rebrinc, o grupo de discussão e a página no Facebook foram criados com o objetivo de promover a troca de informações e experiências entre todos os interessados nas temáticas criança e consumo. Recebemos artigos escritos por educadores, estudantes, pais, mães e pessoas de várias áreas de atuação. Todos buscam espaço para dar voz aos seus questionamentos e preocupações com a infância que hoje está tão mercantilizada e desrespeitada. Dialogamos com todos os interessados que nos procuram pedindo ajuda para pesquisas, projetos escolares e eventos da área. E assim vamos tecendo a nossa rede...

Luciana Ribeiro: Poderia falar sobre o computador e a criança? O que você acha da democratização da tecnologia no Brasil?

Desirée Ruas: Falando em direitos das crianças, sempre pensamos na questão do avanço da tecnologia. Ao mesmo tempo que ela nos permitiu acesso a experiências antes inimagináveis, seja no campo do lazer ou da educação, pensamos como as crianças estão viciadas em tais dispositivos. O questionamento que fazemos na Rebrinc é até que ponto o uso de tablets e celulares pelas crianças está tomando o lugar das brincadeiras criativas, das relações concretas e da movimentação física que são tão necessárias para o desenvolvimento delas. É importante que a gente tenha cada vez mais democratização do acesso às tecnologias mas precisamos ficar atentos às crianças e aos adolescentes no que se refere ao tempo que ficam conectados e ao conteúdo que estão acessando. Vemos hoje crianças e adolescentes tendo acesso a conteúdos adultos o tempo todo, em casa ou na escola. E nós, adultos, sem saber como proteger os filhos e alunos de tais conteúdos. É um desafio para pais, mães e educadores.

Luciana Ribeiro: Fale sobre a parceria que existe entre a Rebrinc e o Instituto Alana (http/criancaeconsumo.org. br/) que também publica estudos acadêmicos e os debates acerca das políticas públicas que respeitam a infância no Brasil.

Desirée Ruas: Existem muitos grupos, movimentos e instituições que trabalham pela proteção dos direitos da infância no Brasil. Para potencializar e aumentar sua escala e efetividade, muitos deles se articulam formando redes. Sobre os temas infância e consumo também encontramos muitos atores sociais interessados em dialogar e alguns movimentos e organizações já empenhados na causa. Mas não tínhamos ainda uma rede com o foco na proteção da criança aos apelos do consumo. Pensando nisso, em junho de 2013, um grupo de quase 50 pessoas se reuniu para dar início à formação da Rede Brasileira Infância e Consumo. O convite foi feito pelo Instituto Alana, organização que trabalha pela infância e desenvolve o projeto Criança e Consumo que existe há dez anos. O processo de construção da Rebrinc contou com algumas reuniões presenciais e com o apoio decisivo do Instituto Alana, que também faz parte da Rede. Especialistas e interessados nos temas infância e consumismo, que já participavam do Projeto Criança e Consumo, ajudaram a construir a Rebrinc.  O trabalho do Instituto Alana, que concentra diversos projetos, é incrível e nos inspira a buscar novas formas, ações e linguagens pela defesa da infância.

Luciana Ribeiro: Como você vê a questão do envolvimento das famílias na construção de uma consciência que proteja a infância dos malefícios do consumismo?

Desirée Ruas: É fundamental pensarmos a criança e o consumo dentro do seu contexto familiar. Se os adultos de uma família consomem sem consciência, desperdiçando recursos e dinheiro, se endividando e dando uma importância para a acumulação de bens em detrimento de outras ações mais conscientes, essa criança vai aprender com esses exemplos. Dessa forma, é crucial um trabalho amplo, que envolva as escolas, a mídia, as comunidades repensando questões como trabalho, dinheiro, qualidade de vida e avaliando o que o ser humano tem vivido para manter o nível de consumo que a sociedade definiu como normal. É um desafio imenso, que envolve toda a lógica do capitalismo, mas que precisa ser iniciado.

Veja as fotos - REDE BRASILEIRA INFÂNCIA E CONSUMO Rebrinc

 

 

 

Encontros da rebrinc realizados em sp /link: blog ecopedagogia

atividades do aniversário "rebrinc pelo brasil"/link:blog ecopedagogia

 

 

Comunidade Facebook: aqui  


Lembrança - Rede Brasileira Infância e Consumo 

O aniversário da Rebrinc que fez três anos no ano de 2016 

 

Desejo muito sucesso e obrigada pela parceria!
 
Abraço verde!
 
Luciana Ribeiro
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O Projeto Cerrado Com Vida e a Educação Ambiental em Brasília

Ligado . Publicado em Luciana Ribeiro

Por Luciana Ribeiro

Como pedagoga e educadora ambiental, tive a honra de conhecer e compartilhar de algumas perspectivas educacionais que foram mobilizadas pelos professores Heloísa Helena Carvalho de Oliveira e Ivo Brito Aguiar (professores da Escola CEF9 de Taguatinga), Andréa Brugin dos Santos Ferreira e Davi Silva Fagundes (professores do CEMTN – Centro de Ensino Médio de Taguatinga) e Robson Majus Soares (educador Ambiental popular) que, juntos, convidaram seus alunos e comunidades para terem o privilégio de dialogar sobre os problemas e algumas soluções pedagógicas possíveis de serem implementadas dentro e fora do contexto escolar, e dessa maneira, redimensionar a qualidade do ensino brasileiro.

Para difundirem a relevância da sustentabilidade em Brasília, os professores Heloísa Carvalho e Ivo Aguiar, fundadores do Projeto Cerrado Com Vida (projeto fundado durante o curso de Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e Com-Vida/ UNB-NUEAMB-SEDF) mobilizaram reuniões e novos desafios referentes à importância da preservação do cerrado no DF e dos problemas gerais que ferem os direitos humanos e os direitos da Terra, os quais são amparados pela Constituição Federal e pela Legislação Ambiental – Lei nº. 9795/99 - Política Nacional de Educação Ambiental e o decreto que a regulamenta, dessa forma, os professores, amigos e gestores públicos são convocados para agirem a favor do planeta Terra.

O Projeto Cerrado Com Vida propiciou algumas vivências pedagógicas, como por exemplo, os professores da rede programaram uma roda de conversas com os alunos, os educadores, os amigos e os parceiros, como o IBAMA, o ICMBIO, o IBRAM, o Projeto Rios Voadores/Petrobras e outras instituições socioambientais que estiveram presentes para mostrar que a vontade política de se realizarem trabalhos em parcerias, colaboram de fato, para a democratização dos estudos, das pesquisas e dos conhecimentos socioambientais que amparam o aprendizado crítico, amoroso e sustentável.

O evento realizado no CEF 9 de Taguatinga teve a honra de receber um artista plástico desta comunidade, José Alves de Oliveira - JAOLIVEIRA que produziu junto com seu parceiro de exposição, Célio Roberto de Oliveira, alguns trabalhos artísticos fundidos em alumínio reciclado pela técnica da espuma perdida (“lost foam”), que utiliza modelos elaborados com poliestireno expandido (isopor R), expostos através de ferramentas e equipamentos artesanais. Essa arte de reciclar aquilo que poderia ser descartado como lixo foi elogiada por Pedro Rodrigues, um cidadão que visitou o evento e disse que a exposição serve para ensinar conceitos de Química, Matemática, Física e Educação Ambiental, disciplinas a serem discutidas para humanizar os alunos e a comunidade escolar, ou seja, há muito para se fazer pela educação em Brasília, a qual precisa ser referência para as demais cidades brasileiras.

 

 

Dialogando sobre o exercício da cidadania ambiental no DF com o educador Robson Majus Soares (facilitador da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola - Com-Vida/DF), compreendemos que a implementação de ações inerentes a Com-Vida no DF e no Brasil (fundada desde 2003) exerce um papel fundamental para discutir responsabilidades para com o planeta Terra, junto com os jovens e cidadãos e gestores públicos. Neste sentido pedagógico, Robson enfatizou que o educador precisa ter clareza do termo sustentabilidade e que para contornar as pedras que aparecem durante suas pegadas ou lutas ecológicas, será preciso encará-las como uma provação a ser vivenciada com amor, perseverança e solidariedade.

Refletindo sobre a seriedade do evento que visa ampliar horizontes políticos e pedagógicos com a participação de toda a comunidade escolar, considero que a crise ambiental (desmatamentos de áreas verdes, poluições causadas pelos lixos, etc.) tornou-se um ponto de partida crucial para dar continuidade à democratização dos conhecimentos socioambientais que não podem findar-se e nem ficarem fragmentados a pequenos grupos da sociedade, pois o MEC e o MMA (órgão Gestor da Educação Ambiental no Brasil) possuem a incumbência social e ambiental de colaborar e empreender projetos educativos em parcerias com as instituições governamentais (ICMBIO,IBAMA,MMA) e, desse modo político, qualificar o ensino brasileiro, inclusive, cumprindo a Legislação Ambiental que defende os direitos humanos e os direitos da natureza.

Parabenizo a equipe da direção, a equipe de professores, os alunos e as comunidades das Escolas CEF9 de Taguatinga e CEMTN, os educadores populares, os amigos, os parceiros e, em especial, o Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria de Educação/DF (foi extinto sem consultar os educadores ambientais do DF, denotando um fato muito questionado no IX Encontro de Educadores Ambientais realizado em 06/11/2015) representado por Flávia Maria Barbosa e GEB/CRET – a Coordenação Intermediária de Educação Integral e Educação Ambiental com Sirlene Reis Landin, que felizmente acreditaram no potencial acadêmico dos professores e dos alunos para compartilharem os conhecimentos socioambientais de modo crítico, contextualizado e interdisciplinar, os quais podem ser inseridos nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas brasilienses.

Professor Davi Silva Fagundes (Presidente da Agenda 21 de Taguatinga)

“O movimento é o desdobramento da consciência ecológica junto com a comunidade, promovida pela Agenda 21 de Taguatinga e outros parceiros do CEF9 - Taguatinga Sul. Esse evento foi e é uma grande oportunidade para conduzirmos as mudanças que precisam ser realizadas, mesmo que em doses homeopáticas...”

Ambientalista Álvaro César de Araújo – fundador do grupo FACEAVES, promove exposições diversas no DF,como em escolas, INMET, Bibliotecas, Exposição National Geographique e Prefeitura de Madri.

Depoimento: “Conhecer para preservara natureza.”

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Créditos: Álvaro César de Araújo

Fotos da área verde ( Estação Ecológica de Águas Emendadas) que divulgam a luta da professora Heloísa de Carvalho para mostrar a importância do cerrado, como sendo o berço das águas, o qual deve ser reconhecido e valorizado pelo ensino brasileiro por meio de visitas em áreas verdes. Os professores do CEF9 de Taguatinga Sul participaram da ação verde.

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Vídeo: Estação Ecológica de Águas Emendadas

 

Fonte: http://www.ecopedagogia.bio.br/ 

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A criança e a regulamentação da publicidade infantil no Brasil

Ligado . Publicado em Luciana Ribeiro

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Por Luciana Ribeiro - fundadora do site ecopedagogia

Entrevista respondida pela advogada Ekaterine Karageorgiadis, do Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, criada em 1994, a qual direciona projetos educativos, como o Projeto Criança e Consumo, que protege os direitos infantis contra os abusos da publicidade infantil; além disso, administra diversas propostas pedagógicas, como coordenar pesquisas acadêmicas que auxiliam o educador e sua família na compreensão dos problemas que ignoram os direitos humanos e os direitos da Terra.

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