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Expedição de National Geographic luta para salvar a maior planície inundável da África

Ligado . Publicado em Biodiversidade . Acessos: 1772

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O delta do Okavango é um dos últimos refúgios da África. Uma vez por ano as chuvas aumentam o volume do rio, que percorre um grande caminho antes de chegar à Botswana. Porém, ao contrário da maioria dos rios, o Okavango não chega ao oceano. Ele desagua no meio do Kalahari para formar a maior planície inundável do continente. O lugar se transforma em um paraíso para a vida selvagem. Peixes invadem as planícies, insetos saem de suas tocas subterrâneas e servem de banquete para as aves. Grandes herbívoros, como búfalos, zebras e elefantes, começam a chegar e são esperados por leões, leopardos, mabecos, guepardos e outros predadores. É uma época de fartura para todos os animais africanos.

Porém, esse santuário está ameaçado. Embora o delta esteja protegido, as nascentes, localizadas nas montanhas de Angola, estão vulneráveis. A região está cheia de minas terrestres, colocadas ali durante as quase três décadas de guerra civil no país.

Com o final dos conflitos em 2002, começou a remoção das minas, os antigos refugiados de guerra começaram a retornar a suas antigas casas e a floresta, que é essencial para a manutenção das nascentes do Okavango, passou a ser desmatada para dar lugar a plantações. Com a segurança oferecida pelas minas acabando gradualmente, surge uma questão: será possível substituir essa proteção acidental com soluções ambientais sustentáveis?

O Okavango Wilderness Project começou em 2011 com o objetivo de mostrar a importância das nascentes para a sobrevivência do delta, apoiar o desenvolvimento do turismo, a conservação da biodiversidade, fazer a gestão de áreas protegidas, preservar os ecossistemas em toda a Bacia do Rio Kubango-Okavango e expandir a área considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. O projeto realiza expedições anuais para coleta de dados importantes para a conservação da Joia do Kalahari. James Kydd, o fotógrafo das expedições, alerta “Se as nascentes não estão protegidas, as consequências para o delta do Okavango, o seu povo e a vida selvagem podem ser catastróficas.”

No dia 21 de maio começou a expedição de 2015. Nomeada Into the Okavango e coordenada por National Geographic, a equipe partiu das montanhas de Angola e iniciou uma jornada para percorrer toda a extensão do rio Okavango em canoas mekoro.

Durante 90 dias, cientistas, documentaristas, fotógrafos, jornalistas e homens da tribo Ba’Yei, vão descer 1900 quilômetros rio abaixo enquanto coletam dados sobre insetos, peixes, aves, répteis, anfíbios e mamíferos e realizam avaliações de qualidade da água e exames topográficos da paisagem. Um painel solar, transmissores de satélite e outros equipamentos high tech permitem compartilhar essas informações em tempo real. Assim, pessoas de qualquer parte do mundo podem acompanhar a jornada enquanto ela se desenrola. É só acessar o site.

Para Jer Thorp, data artist da expedição, o compartilhamento de dados em tempo real é uma inovação. “A razão pela qual cientistas fazem expedições é para coletar dados que nenhum outro cientista tem. Com o nosso projeto nós invertemos isso. No mesmo momento em que coletamos nossas informações em campo, elas ficam disponíveis, não apenas para a nossa equipe, mas para qualquer outra equipe de pesquisa que talvez não tenha verba para ir ao Okavango,” disse em palestra para a série National Geographic Live. Thorp complementa: “Nós queremos produzir uma base de dados para todos. Para professores, alunos, artistas, designers, pesquisadores, para qualquer pessoa que se interesse em usar essas informações. Nossas viagens para o delta são importantes, mas elas irão ter um impacto limitado se não conseguirmos divulgar os resultados para todo o mundo.”

Também é possível fazer perguntas via Twitter, ver imagens pelo Instagram, seguir as coordenadas de GPS e até monitorar o batimento cardíaco dos integrantes do grupo enquanto eles passam por uma manada de elefantes ou um grupo de leões. Para Kydd as mídias sociais são importantes para que expedições como esta, geralmente só para cientistas, possam envolver a todos. “Qualquer pessoa que leia sobre a expedição vai ajudar na proteção do Okavango toda a vez que compartilhar as nossas novidades e posts. Através das mídias sociais, todos os apaixonados pela vida selvagem podem participar e ajudar a criar consciência sobre o problema enfrentado pelo Delta.” E completa “Envolver os brasileiros nessa jornada é maravilhoso. Em um futuro próximo, espero fazer algo parecido no Pantanal junto com o Mário Haberfeld.”

O fotógrafo segue otimista: “Imagino quantos de nós já teve o privilégio de vivenciar um lugar verdadeiramente selvagem… Esses lugares estão desaparecendo, isso é claro, mas não é nosso desespero que irá ajudar a preservá-los. É nossa esperança.”

Fonte:

Fábio Paschoal
National Geographic Brasil


Fonte: Portal da Sustentabilidade.

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